Perspectivas15 de outubro de 2025·10 min de leitura

A padronização nacional dos preços dos exames laboratoriais está chegando! O fim do “mesmo exame, preços diferentes” — e como pacientes, hospitais e o setor de IVD serão afetados

Em 2025, uma política de grande peso no setor médico: as guias de instituição de itens de preço de serviços médicos para exames laboratoriais e patologia já foram elaboradas e entraram na fase de consulta pública, com previsão de publicação oficial ainda este ano. Isso significa que a cobrança de exames no país deixará definitivamente para trás a era descentralizada da “definição por província, com diferenças acentuadas” e entrará em uma nova etapa de padronização unificada. Sejam pacientes que buscam tratamento fora de sua região, hospitais que ajustam suas estratégias operacionais ou empresas que atuam no diagnóstico in vitro (IVD), todos enfrentarão uma transformação profunda que envolve custo, eficiência

X

Xinke Medical

Publicado 15 de outubro de 2025

A padronização nacional dos preços dos exames laboratoriais está chegando! O fim do “mesmo exame, preços diferentes” — e como pacientes, hospitais e o setor de IVD serão afetados

Em 2025, uma política de grande peso no setor médico: as guias de instituição de itens de preço de serviços médicos para exames laboratoriais e patologia já foram elaboradas e entraram na fase de consulta pública, com previsão de publicação oficial ainda este ano. Isso significa que a cobrança de exames no país deixará definitivamente para trás a era descentralizada da “definição por província, com diferenças acentuadas” e entrará em uma nova etapa de padronização unificada. Sejam pacientes que buscam tratamento fora de sua região, hospitais que ajustam suas estratégias operacionais ou empresas que atuam no diagnóstico in vitro (IVD), todos enfrentarão uma transformação profunda que envolve custo, eficiência e qualidade do serviço.

Contexto da política: por que é preciso romper com o impasse da “definição de preços por província”?

Durante muito tempo, os preços dos serviços médicos de exames na China seguiram o modelo de gestão do “teto definido pelo governo central e regras detalhadas definidas pelas localidades” — uma fórmula aparentemente flexível, mas repleta de problemas latentes. Segundo dados de pesquisas da Administração Nacional de Segurança Médica (NHSA), a diferença de cobrança de um mesmo exame (como a dosagem de TSH — hormônio estimulante da tireoide) entre as cidades litorâneas do leste e os municípios das regiões central e oeste pode chegar a 50%, e por trás disso há três contradições difíceis de conciliar:

O desequilíbrio na alocação de recursos infla a diferença de custos: hospitais de nível III-A em regiões economicamente desenvolvidas, valendo-se das vantagens da compra centralizada, adquirem equipamentos e reagentes de exames a preços mais baixos, reduzindo de 20% a 30% o custo unitário de cada exame; já os hospitais de regiões menos desenvolvidas, com baixo volume de compras e pouco poder de negociação, pagam mais caro por equipamentos e reagentes, o que empurra diretamente para cima os preços dos exames.

As diferenças de custo de mão de obra ampliam a lacuna (gap) de preços: técnicos de laboratório das cidades de primeira linha ganham, em geral, salários mensais superiores a 10 mil yuans, e a mão de obra representa mais de 40% do custo total dos serviços de exames; nas cidades de terceira e quarta linha, embora a mão de obra seja mais barata, custos ocultos como manutenção de equipamentos e transporte de insumos são mais altos e, no fim, acabam refletidos na cobrança.

A “precificação caótica” prejudica médicos e pacientes: em algumas regiões, ocorrem casos de “mesmo nome, itens diferentes” (como o “hemograma”, que inclui parâmetros diferentes conforme o hospital) e de “mesmo exame, preços diferentes” (como a detecção da mesma substância por método enzimático ou por imunoensaio, sem um padrão de cobrança). Ao procurar outro hospital, o paciente muitas vezes acaba pagando mais por falta de transparência nos preços, e o fundo do seguro médico também enfrenta dificuldades de apuração e de fiscalização.

O avanço dessas guias para a área de exames laboratoriais e patologia não é casual. Desde 2021, a NHSA vem publicando guias de instituição de itens de preço de serviços médicos em 33 lotes, totalizando 1.640 itens, cobrindo áreas-chave como transplante de órgãos, diagnósticos e tratamentos da medicina tradicional chinesa e implantes dentários. A concretização desta política para a área de exames é justamente o cumprimento decisivo do “Plano Piloto de Aprofundamento da Reforma dos Preços dos Serviços Médicos” e a “última peça do quebra-cabeça” na construção do sistema nacional unificado de preços de serviços médicos.

A “Especificação Técnica dos Projetos de Serviços Médicos Nacionais (Edição 2023)”, publicada em 2023, já estabelecia que os elementos dos itens são compostos por 17 itens constitutivos: código do item; nome do item (em chinês); nome do item (em inglês); conteúdo do item; consumíveis essenciais; consumíveis opcionais; faixas de consumíveis de baixo valor; consumo básico de mão de obra e tempo despendido; dificuldade técnica; grau de risco; valor relativo do consumo de recursos humanos; unidade de medida; observações; coeficiente de ajuste do consumo de recursos em circunstâncias especiais; classificação da fatura de cobrança; classificação da conta contábil; e classificação de despesas da capa do prontuário médico.

Desse conjunto, os 1.754 itens de exame e diagnóstico laboratorial e os 64 itens de diagnóstico anatomopatológico são padronizados segundo elementos como os consumíveis médicos descartáveis utilizados, o consumo de mão de obra e o tempo despendido, a dificuldade técnica, o grau de risco, o valor relativo do consumo de recursos humanos, a unidade de medida e os critérios de agrupamento contábil-financeiro.

1046-1

Na especificação técnica, os consumíveis de baixo valor são classificados em faixas de 1 a 8, e o consumo básico de mão de obra e o tempo são classificados sob duas perspectivas: trabalho humano e máquinas. A dificuldade técnica varia de 1 a 100; o nível de risco, de 1 a 100; a dificuldade de risco, de 1 a 100; e o valor relativo do consumo de recursos humanos, de 1 a 94.2. Todos os itens podem ser classificados segundo essas dimensões, que formam justamente a base da composição dos preços dos serviços médicos de exames.

A integração de itens não é um simples “agrupamento de itens semelhantes”: ela toma o “resultado do serviço” como núcleo, descarta detalhes como etapas operacionais e modelos de equipamentos e classifica os itens por “área de especialidade + tecnologia de detecção”. A província de Anhui, por exemplo, já consolidou 173 itens de exames de radiologia em 26 itens, e é provável que os itens de exames laboratoriais sigam essa mesma lógica: o “hemograma” e a “coagulação” seriam agrupados no “grupo de exames de hematologia clínica”, e a “função hepática” e a “função renal”, no “grupo de exames de bioquímica clínica”, com maior detalhamento conforme os cenários de teste, como a “plataforma de bioquímica” e a “plataforma de imunoensaio”. A medida pode pôr fim de vez ao caos de “um mesmo item com múltiplos códigos e múltiplos preços”: no futuro, o paciente que fizer o “painel tireoidiano de 5 parâmetros” em qualquer hospital do país verá conteúdo e padrão de cobrança idênticos.

A “separação entre a tarifa técnica e os custos dos consumíveis” significa que a taxa do exame incluiria apenas o trabalho técnico, com os consumíveis (como tubos de coleta e cartões de reagente) cobrados à parte. Províncias como Henan e Jiangxi já haviam testado esse modelo, mas os problemas logo vieram à tona: por um lado, um paciente que faz um hemograma pode ter de pagar “taxa do exame + taxa do tubo de coleta + taxa do reagente”, e a despesa real acaba aumentando; por outro, os hospitais precisam administrar a cobrança dos consumíveis, o que eleva os custos administrativos e ainda abre espaço para a “majoração de preços de consumíveis”. Em 2024, a cidade de Hohhot foi pioneira em eliminar essa separação nos exames de função renal e de enzimas cardíacas, retomando o modelo de “preço total do item”. Considerando a forte vinculação entre tecnologia e consumíveis nos serviços de exames, é muito provável que a abordagem em âmbito nacional siga essa linha, incorporando os custos dos consumíveis regulares ao preço total do exame e evitando que o paciente seja “cobrado por partes”.

No passado, o “preço diferente conforme a metodologia” era a norma do setor — na “dosagem de homocisteína”, por exemplo, o método de ciclo enzimático custava RMB 50, enquanto o imunoensaio custava RMB 80; alguns hospitais, para aumentar o lucro, cobravam o “teste por ciclo enzimático” como se fosse “imunoensaio”, desviando recursos do fundo do seguro médico. A nova política é clara: exames de rotina de bioquímica clínica e de imunoensaio clínico terão preço unificado, “sem distinção de metodologia”; apenas itens com grandes diferenças de complexidade técnica — como os de biologia molecular clínica (testes genéticos, por exemplo) e os de citogenética — poderão manter a distinção por metodologia. Esse ajuste põe fim à irregularidade de “cobrar trocando a metodologia” e, ao mesmo tempo, induz os hospitais a escolher métodos de exame mais eficientes e econômicos, reduzindo o custo geral da assistência.

A padronização nacional dos preços dos exames adota o modelo de “referência definida pela província, com flutuação na área de coordenação (prevista em até 15%)”. Esse ajuste gera ganhos para as três partes — pacientes, hospitais e o setor de IVD — e também acelera a transição do setor para uma nova fase de “competição pela qualidade”. Para o paciente, preços transparentes evitam cobranças extras em atendimento fora de sua região, e os códigos de item unificados podem impulsionar o reconhecimento mútuo de resultados, reduzindo exames repetidos e, de fato, economizando tempo e dinheiro; os hospitais, por sua vez, podem usar padrões unificados de consumíveis e mão de obra para induzir a otimização de processos — como reduzir custos com gestão centralizada de reagentes e escalas racionais de pessoal — e, com referências de preço claras, deixam para trás a “ansiedade da precificação” e podem se concentrar mais na qualidade dos exames; o setor de IVD, enfim, dirá adeus ao “dividendo das diferenças regionais de preço”, e a competitividade dos produtos passará a se concentrar nas “vantagens técnicas (como exames rápidos e alta precisão)” e no “custo-benefício (como menor perda de consumíveis)”, com a lógica competitiva migrando integralmente da “guerra de preços” para a “guerra de tecnologia”.

1046-2

Sobre a base do ganho para as três partes, o valor da padronização nacional dos preços dos exames ainda se estenderá à “qualidade e conveniência”, e as medidas complementares e o valor de longo prazo merecem ser aguardados. Por um lado, a NHSA pode criar um “mecanismo de ajuste dinâmico de preços”, atualizando em tempo hábil as referências conforme a oscilação dos custos de consumíveis e a atualização tecnológica dos exames (como a popularização dos testes no ponto de atendimento — POCT), evitando a rigidez da precificação; os hospitais, simultaneamente, precisam reforçar o controle de qualidade — por exemplo, por meio da acreditação de laboratórios ISO 15189 — para garantir que “o preço caia, mas a qualidade não”. Por outro lado, no longo prazo, o paciente caminhará gradualmente para o “exame único válido em todo o país”; no futuro, dados de exames básicos realizados em casa (como glicemia e perfil lipídico) poderão inclusive ser conectados diretamente aos sistemas hospitalares, reduzindo ainda mais os deslocamentos para atendimento. Já as empresas de IVD precisarão focar em P&D essencial — como o desenvolvimento de reagentes mais precisos para detecção precoce de tumores e de plataformas mais rápidas de diagnóstico de doenças infecciosas — para continuarem competitivas sob o sistema de preços unificado.

No geral, a padronização nacional dos preços dos exames não é apenas um simples ajuste de preços: é um marco importante da padronização dos serviços médicos do país. Ela encerrará de forma eficaz o caos do “mesmo exame, preços diferentes” e, ao mesmo tempo em que equilibra os recursos médicos e dá tranquilidade ao paciente para buscar atendimento, abre um caminho de desenvolvimento mais saudável para o setor de IVD.

Declaração: este artigo é compartilhado apenas para fins de informação e não representa a posição desta plataforma. Se envolver direitos autorais ou outros assuntos, entre em contato conosco o mais rápido possível; faremos as correções imediatamente. Obrigado.


A padronização nacional dos preços dos exames laboratoriais está chegando! O fim do “mesmo exame, preços diferentes” — e como pacientes, hospitais e o setor de IVD serão afetados | Xinke Medical